Justiça torna policial militar réu por homicídio após morte de mecânico em blitz em Goiânia
Decisão aponta que sargento assumiu o risco ao atirar contra carro em fuga; laudos periciais descartam troca de tiros
A Justiça tornou réu o terceiro-sargento da PM Fellipe Mecenas de Oliveira Lima, acusado de homicídio doloso pela morte do mecânico Marcus Phelipe de Souza Almeida. A polícia baleou o jovem na cabeça e no ombro durante uma perseguição iniciada em uma blitz, em outubro de 2023, e ele não resistiu aos ferimentos. A Justiça divulgou, na quinta-feira (22), a decisão que aceitou a denúncia.
A abordagem ocorreu durante a operação Balada Responsável, na Avenida Vieira Santos, no Setor Residencial Bougainville. Marcus estava no banco do passageiro de um carro conduzido por um amigo, que desobedeceu à ordem de parada e fugiu em direção a Aragoiânia, onde os dois seguiam para uma festa.
Versões divergentes marcam os primeiros relatos
A Polícia Militar alegou inicialmente que houve troca de tiros. O motorista, porém, afirmou em depoimento que os disparos começaram sem qualquer reação do passageiro. Desde o início, a família de Marcus contestou a versão de legítima defesa e afirmou que o jovem não portava arma de fogo. Os familiares também questionaram a apreensão de um revólver no local e disseram que o carro apresentava problemas mecânicos, o que reduziria a possibilidade de fuga em alta velocidade.
Laudos da Polícia Civil descartaram confronto armado e concluíram que não houve disparos a partir do veículo. A perícia indicou ainda que o mecânico foi atingido logo no início da ação, perdeu a consciência e não teve chance de reagir. As investigações também apontaram o repasse de informações incorretas pela PM, o que atrasou a análise do carro e de outros vestígios.
A polícia indiciou o sargento em julho de 2025, sob a acusação de que ele assumiu o risco de matar ao efetuar disparos contra o carro em fuga. Em setembro do mesmo ano, o Ministério Público de Goiás arquivou o caso por insuficiência de provas. A família recorreu, apresentou novos argumentos baseados em laudos técnicos e destacou contradições nos relatos policiais.
Justiça reabre processo e aceita denúncia
Com o recurso, a Justiça reabriu o processo em dezembro de 2025 e acolheu a denúncia, transformando o policial em réu por homicídio doloso. Em nota, a Polícia Militar informou que cumpre as decisões do Judiciário e que adotou os procedimentos administrativos à época. A reportagem não localizou a defesa do sargento até a publicação deste texto.
O processo segue para a fase de instrução, com coleta de depoimentos e produção de novas provas.
(A estudante de jornalismo Mabily Sangy é orientada pelo jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias)






