Justiça de Goiás condena 17 réus por golpes digitais e aplica mais de 100 anos de prisão ao líder do esquema
Organização criminosa atuava em escala nacional, tinha idosos e familiares de médicos e advogados como principais alvos e movimentou milhões em fraudes
A Justiça de Goiás condenou 17 integrantes de uma organização criminosa especializada em golpes digitais e impôs pena superior a 100 anos de prisão ao líder do grupo. A decisão da 2ª Vara das Organizações Criminosas também determinou o pagamento de R$ 5 milhões por danos morais coletivos e o confisco de veículos, imóveis, joias e outros bens adquiridos com o dinheiro das fraudes.
Segundo a sentença, o esquema atuava em escala nacional e tinha como principais alvos pessoas idosas e familiares de médicos e advogados. A investigação revelou uma estrutura organizada, com divisão clara de tarefas, movimentações milionárias e o uso de milhares de chips telefônicos para aplicar os golpes.
O líder da quadrilha, Wanderson Barbosa da Silva, comandava toda a dinâmica criminosa e recebeu a maior condenação, que ultrapassa 100 anos de reclusão. A Justiça também condenou outros 16 réus, com penas que variam conforme o grau de participação no esquema.
Coordenação e controle financeiro
Quatro integrantes ficaram responsáveis pela logística do dinheiro, acesso às contas bancárias e ocultação da origem dos valores: João Gabriel de Oliveira Siqueira, Glauber Henrique Rustiguel do Nascimento, Alexandre Pereira da Silva e Fernando dos Santos Oliveira. Juntos, eles controlavam o repasse e a divisão dos recursos obtidos ilegalmente.
Operadores dos golpes
Seis réus atuavam diretamente no contato com as vítimas, por meio de ligações e mensagens. Eles se passavam por parentes, médicos, advogados ou conhecidos para solicitar transferências financeiras com falsas histórias de emergência. A polícia apreendeu celulares com milhares de imagens usadas para tornar os golpes mais convincentes.
Organização de dados das vítimas
Outros dois condenados eram responsáveis por reunir informações como nomes, fotos, telefones e vínculos familiares das possíveis vítimas. Esse material abastecia a estrutura do golpe e permitia abordagens personalizadas.
Contas bancárias e circulação do dinheiro
Quatro réus abriram contas bancárias e funcionaram como intermediários para receber e repassar os valores obtidos, dificultando o rastreamento do dinheiro e a ligação direta com os líderes do esquema.
De acordo com o Ministério Público, apenas cinco integrantes movimentaram mais de R$ 14 milhões entre 2021 e 2024. Em um único aparelho apreendido, a polícia encontrou cerca de 78 mil contatos, o que evidencia a dimensão do esquema criminoso.
A Justiça determinou a destinação de todo o dinheiro, veículos, imóveis, joias e demais bens apreendidos à reparação das vítimas após o trânsito em julgado da ação. O valor fixado por danos morais coletivos deverá ser pago de forma solidária por todos os condenados.
(A estudante de jornalismo Mabily Sangy é orientada pelo jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias)






