Cidades

Ex-diretora e ex-coordenador de colégio em Valparaíso de Goiás são indiciados por racismo, homofobia e assédio moral

Investigação da Polícia Civil aponta ofensas discriminatórias, difamação, humilhações e perseguições contra servidores do Colégio Estadual Almirante Tamandaré

A Polícia Civil indiciou a ex-diretora e o ex-coordenador do Colégio Estadual Almirante Tamandaré, em Valparaíso de Goiás, por racismo, homofobia, assédio moral e crimes contra a honra contra servidores da unidade. A denúncia contra os ex-dirigentes foi protocolada em 2023.

Segundo a investigação, episódios de violência atingiram diferentes profissionais da escola. Ao todo, cinco servidores procuraram a Polícia Civil para relatar situações que, de acordo com os depoimentos, envolveram ofensas discriminatórias, difamação e constrangimentos.

O inquérito aponta que a ex-diretora proferiu xingamentos contra uma das vítimas e utilizou termos homofóbicos ao se referir a um professor da unidade. A investigação também registrou acusações de difamação contra outros funcionários. Testemunhas relataram episódios de humilhação, perseguições no ambiente profissional e exposição de servidores em aplicativo de mensagens.

Quatro servidores denunciaram os ex-dirigentes: uma auxiliar de serviços gerais responsável pela limpeza relatou assédio moral, racismo e crimes contra a honra; um professor afirmou que os ex-dirigentes fizeram manifestações homofóbicas contra ele; uma coordenadora denunciou assédio moral e difamação; e outra auxiliar de serviços gerais, que atuava inicialmente na merenda e depois na limpeza, também relatou assédio moral e crimes contra a honra praticados pelos gestores.

Ao analisar o conjunto de provas, a Polícia Civil identificou indícios de autoria e materialidade para os crimes de injúria racial, injúria qualificada por discriminação com base em orientação sexual, difamação e injúria atribuídos à ex-diretora. A polícia indiciou o ex-coordenador por difamação contra servidores da unidade.

Defesa

O advogado das vítimas, afirmou que recebeu o relatório da PC com a sensação de que a investigação avançou para a responsabilização dos envolvidos. Segundo ele, o indiciamento confirma a gravidade das denúncias e a consistência das provas reunidas ao longo do inquérito.

Saulnier também destacou que os episódios deixaram consequências duradouras para os servidores. De acordo com o advogado, as vítimas ainda carregam “marcas profundas da violência psicológica sofrida”. Ele acrescentou que ofensas no ambiente escolar “transcendem o momento da agressão e deixam cicatrizes na dignidade e no bem-estar emocional que o tempo, por si só, não apaga”.

A reportagem não localizou a defesa dos indiciados nem os representantes das demais vítimas. O espaço permanece aberto para manifestação.

(A estudante de jornalismo Mabily Sangy é orientada pelo jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias)

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