Família é presa em Goiás após polícia resgatar três irmãos em investigação sobre adoção ilegal
Crianças foram encontradas em imóveis diferentes em Serranópolis e caso levanta suspeitas sobre outras adoções irregulares investigadas pela PCGO
A Polícia Civil de Goiás desarticulou um possível esquema de tráfico de pessoas para adoção ilegal após resgatar três irmãos, de 9 e 11 anos, em Serranópolis, no sudoeste goiano. A investigação começou durante uma operação contra o tráfico de drogas e rapidamente revelou suspeitas envolvendo toda uma família.
Entre os investigados estão um homem apontado como líder do tráfico na região, a companheira dele e os próprios pais do suspeito. Segundo a corporação, o grupo teria acolhido as crianças ilegalmente ao se aproveitar da vulnerabilidade social da mãe dos menores. Por isso, os agentes prenderam os quatro em flagrante e os encaminharam para unidades prisionais em Jataí e Rio Verde.
Tudo começou na última sexta-feira, 22, quando policiais cumpriram um mandado de prisão contra o suspeito em uma propriedade rural. No entanto, durante a ação, os agentes encontraram uma criança de 9 anos vivendo com o investigado e a mulher dele. Em seguida, os policiais questionaram o casal sobre a origem da criança, mas os dois não apresentaram documentos nem comprovaram qualquer vínculo familiar.
Logo depois, a investigação ganhou novos desdobramentos. Os policiais descobriram que os irmãos da criança estavam em outro imóvel, sob os cuidados dos pais do investigado. Diante disso, equipes da Polícia Civil seguiram até o endereço e localizaram os outros dois menores. Após o resgate, as autoridades encaminharam as vítimas para um abrigo em Jataí.
Histórico familiar ampliou suspeitas da polícia
Além das inconsistências encontradas durante a operação, os investigadores identificaram um histórico que aumentou as suspeitas sobre a família. Segundo a Polícia Civil, os pais do investigado já teriam se envolvido em outras adoções consideradas irregulares, o que ampliou o foco das apurações.
Agora, os agentes analisam a origem de outras pessoas acolhidas pela família ao longo dos anos. Ao mesmo tempo, a corporação verifica se os investigados seguiram os procedimentos legais exigidos em processos de adoção. Com isso, a polícia tenta descobrir se o grupo atuava de forma recorrente nesse tipo de prática.
De acordo com os investigadores, os suspeitos teriam se aproveitado da condição da mãe das crianças, descrita pela corporação como uma mulher pobre e usuária de crack. Assim, a polícia trabalha com a hipótese de que os menores tenham sido afastados da convivência materna sem qualquer autorização judicial.
Além disso, a investigação também aponta episódios de violência. Conforme a PCGO, o principal investigado teria espancado a mãe das crianças por causa de dívidas relacionadas ao tráfico de drogas. Por consequência, o relato passou a integrar o inquérito e fortaleceu os indícios de tráfico de pessoas.
Polícia apreendeu celulares durante a operação
Durante a operação, os policiais apreenderam celulares dos quatro investigados. Agora, os agentes analisam o conteúdo dos aparelhos em busca de mensagens, registros e possíveis provas que ajudem a esclarecer o funcionamento do suposto esquema de adoções ilegais.
Enquanto isso, a Polícia Civil continua investigando se existem outras vítimas envolvidas no caso. Além disso, os investigadores tentam identificar há quanto tempo as crianças viviam com a família e em quais condições os menores eram mantidos.
O caso provocou forte repercussão no sudoeste goiano, principalmente pela gravidade das suspeitas envolvendo crianças em situação de vulnerabilidade. Neste momento, a Polícia Civil de Goiás mantém as investigações em andamento para esclarecer todos os detalhes relacionados às adoções irregulares em Serranópolis.
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(O jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias, orienta o estudante de jornalismo Vinicius Lima.)






