Van envolvida em tragédia com estudantes não possuía autorização para transporte escolar, apontam investigações
As investigações sobre o grave acidente na GO-518, revelaram que a van que transportava os estudantes não possuía autorização para realizar transporte escolar intermunicipal. Segundo a Agência Goiana de Regulação (AGR), o veículo levava 12 alunos no momento da colisão que matou cinco adolescentes.
Além disso, o Detran-GO informou que a van não tinha registro como veículo de transporte escolar em seu sistema. A ausência da documentação reforça as apurações sobre a regularidade do serviço oferecido aos estudantes.
Conforme levantamento da TV Anhanguera, o veículo está registrado em nome do Fundo Estadual de Saúde de Goiás. No entanto, a Secretaria de Estado da Saúde esclareceu que cedeu a van ao município de Sanclerlândia em 2018, transferindo à prefeitura a responsabilidade pela manutenção e utilização do automóvel.
Por sua vez, a Prefeitura de Sanclerlândia informou que repassou o veículo ao Colégio Estadual da Polícia Militar 5 de Janeiro por meio da Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF). Segundo o município, a entidade administrava a operação da van, contratava o motorista e mantinha o seguro do veículo com recursos pagos pelos próprios pais dos alunos.
Enquanto isso, a perícia identificou outro fator que pode dificultar o esclarecimento do caso. Nem a van nem a carreta envolvida no acidente possuíam tacógrafo, equipamento obrigatório para registrar velocidade e tempo de deslocamento em veículos de transporte escolar e de carga. Com isso, os investigadores terão mais dificuldades para reconstruir a dinâmica exata da colisão.
Além das irregularidades, as apurações preliminares indicam que um veículo que trafegava no sentido contrário com os faróis altos pode ter comprometido a visibilidade do motorista da van, de 70 anos. Os peritos também analisam a sinalização da carreta, as condições da rodovia e a ausência de acostamento no trecho.
O acidente
A tragédia causou a morte de Lucas Antônio de Souza Dias, de 14 anos, Ezequiel Souza Oliveira, de 14, Izadora Monteiro da Silva, de 12, Isadora Castro Neves, de 12, e Maria Carolina Sabino Alves, de 11 anos. Todos retornavam para casa após as aulas em Sanclerlândia.
Enquanto as investigações avançam, três adolescentes permanecem hospitalizados. Emanuella Augusta, de 12 anos, segue internada em estado grave na UTI do Hugol. Outro estudante, também de 12 anos, apresenta quadro regular e permanece na enfermaria. Já um adolescente de 13 anos foi transferido para o Hospital Estadual de Ortopedia e Reabilitação, passou por cirurgia e apresenta boa recuperação, segundo familiares.
A Polícia Civil investiga o caso por homicídio culposo e lesão corporal no trânsito. Os laudos da Polícia Científica devem ficar prontos em até 30 dias e poderão indicar as responsabilidades pela tragédia.
(A estudante de jornalismo Renata Ferraz é orientada pelo jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Noticias)






