Mulher relata golpe de R$ 50 mil após falso PM usar luto para ganhar confiança em Aparecida
Vítima afirma que investigado simulava rotina policial, pedia dinheiro com frequência e explorava emocionalmente mulheres durante relacionamentos
Uma mulher procurou a Polícia Civil após reconhecer semelhanças entre a própria história e a denúncia que levou à prisão de Deivid Plácido de Oliveira Dias, suspeito de se passar por policial militar em Goiás. Identificada como Ana, nome fictício usado para preservar sua identidade, ela relatou que perdeu mais de R$ 50 mil durante um relacionamento de cerca de 1 ano e meio com o investigado.
Segundo a vítima, o prejuízo financeiro começou com pedidos de ajuda e, aos poucos, avançou para dívidas, compras e despesas que o suspeito nunca pagou. No entanto, Ana afirma que a manipulação emocional marcou ainda mais o caso. Ela diz que Deivid se aproveitou da morte do filho dela para ganhar influência em um momento de extrema fragilidade.
“Ele se aproveitou muito desse momento. Meu filho era meu braço direito, dormia comigo, me ajudava em tudo. Eu estava destruída emocionalmente e ele sabia disso. Ele dizia que a morte do meu filho era uma punição de Deus para mim. Hoje eu percebo o quanto fui manipulada”, relatou.
Depois de acompanhar a repercussão da prisão, Ana percebeu que outra mulher também havia passado por situação parecida. Por isso, decidiu reunir comprovantes, registrar boletim de ocorrência e pedir medidas protetivas, já que teme represálias do investigado.
Vítima diz que suspeito criou personagem para ganhar confiança
“Eu não denunciei antes por vergonha. Mas quando vi outra mulher passando pela mesma situação, pensei que, se eu tivesse falado antes, talvez ela não tivesse sofrido esse prejuízo. Ficar calada também é ser omissa”, afirmou.
De acordo com Ana, Deivid não usava apenas a falsa identidade de policial militar para se aproximar de mulheres. Além disso, ele criava uma imagem de homem religioso, dedicado à família e responsável pelos cuidados do pai acamado. Dessa forma, o investigado passava confiança e despertava compaixão.
“Ele se passa por policial para atrair mulheres, mas não é só isso. Ele também se passava por um evangélico exemplar, um homem que cuidava do pai acamado, que se preocupava com a família. Inclusive usava vídeos do pai para sensibilizar as pessoas. Hoje eu vejo que tudo isso fazia parte da imagem que ele criava para ganhar confiança.”, declarou.
Para sustentar a versão falsa, segundo a vítima, o suspeito usava fotos com roupas semelhantes às da Polícia Militar, mostrava supostos contracheques e falava sobre promoções na carreira. Além disso, ele relatava ocorrências que dizia ter vivido durante o serviço policial, o que fazia a história parecer verdadeira.
Pedidos de dinheiro começaram no início do relacionamento
“Agora ele diz que criou as imagens por causa de uma situação específica envolvendo outra mulher. Mas ele já fazia isso muito antes. Essa história de policial existia desde quando eu o conheci, em 2024”.
Segundo Ana, os pedidos de dinheiro começaram logo nos primeiros meses do relacionamento. Primeiro, Deivid alegava problemas com cartão bloqueado e emergências pessoais. Em seguida, passou a inventar situações ligadas à suposta rotina como policial militar.
“Era o tempo inteiro. Ele dizia que estava trabalhando, que o cartão tinha sido bloqueado, que precisava resolver uma emergência. Falava que tinha atirado em alguém em serviço, que precisava indenizar vítimas ou familiares. Eu acreditava porque achava que ele realmente era policial”, afirma Ana.
Ao registrar o boletim de ocorrência, a vítima entregou comprovantes de transferências feitas ao investigado. Ela relatou Pix de valores altos, além de gastos com roupas, viagens, hospedagens, combustível e compras feitas durante o relacionamento.
Prejuízos envolveram cartão, iPhone, multas e ajuda de idosa
“Tem Pix de R$ 5 mil, de R$ 8 mil, de R$ 9 mil. Esses são os que eu consegui localizar rapidamente. Ainda estou levantando outros comprovantes. Ele pediu que eu fizesse um cartão adicional do Bradesco para ele. Nunca pagou uma fatura sequer. Também comprei um iPhone e ele nunca me devolveu o dinheiro. Isso sem contar roupas, viagens, combustível, hospedagens e tudo o que eu paguei durante esse período”, explica a vítima.
Ana também relatou que uma amiga dela, de 73 anos, acabou prejudicada pelo investigado. Segundo a vítima, a idosa acreditava que Deivid enfrentava dificuldades para cuidar do pai doente. Por isso, passou a ajudá-lo financeiramente.
“Ele viajava para praia, para Caldas Novas, para vários lugares. Sempre dizia que pagaria depois. Ela comprou passagens, fez transferências e emprestou dinheiro. O prejuízo dela passa de R$ 10 mil”.
Além disso, Ana afirmou que o suspeito usava o carro dela com frequência e desaparecia por longos períodos. Depois, segundo ela, ele justificava as ausências com histórias sobre barreiras policiais, punições disciplinares ou recolhimento no quartel. Ao fim do relacionamento, o veículo acumulava quase R$ 4 mil em multas.
Irmã do investigado alertou vítima sobre falsa identidade
Ana disse que só descobriu que Deivid não era policial militar em outubro de 2025. Conforme o relato, uma irmã do investigado a procurou e revelou que ele não integrava a corporação. Mesmo assim, a vítima permaneceu por mais dois meses no relacionamento, pois tentava recuperar parte do dinheiro.
“A irmã me procurou e disse que não achava justo eu continuar sendo enganada depois de tudo o que eu fazia pela família”.
Agora, Ana afirma que teme represálias, já que o investigado conhece sua rotina e tem acesso ao condomínio onde ela mora. Por esse motivo, além do boletim de ocorrência, ela pediu medidas protetivas.
“Ele tem acesso ao meu condomínio e conhece informações da minha rotina. Eu estou com medo”, reforça.
Para a vítima, a divulgação do caso pode ajudar outras mulheres a identificarem situações semelhantes. “Não quero aparecer. Quero apenas que outras mulheres saibam como ele age. Porque a falsa identidade era só o começo. O objetivo sempre foi ganhar confiança para explorar financeiramente as pessoas”, conclui.
Deivid, de 30 anos, foi preso na quarta-feira, 17, suspeito de usar imagens geradas por inteligência artificial para se passar por policial militar. A Polícia Civil iniciou a investigação após a denúncia de outra ex-namorada, que descobriu a falsa identidade e encerrou o relacionamento. O suspeito confessou a ação, mas alegou que agiu para ajudar a ex a recuperar um veículo. Ana contesta essa versão.





