Cidades

Policial aposentado encontrado desnutrido morre após quase duas semanas internado em Goiânia

Vítima, de 66 anos, apresentava desnutrição severa, desidratação e feridas infectadas; filho de criação, de 25 anos, permanece preso

O policial civil aposentado encontrado desnutrido em Goiânia morreu após permanecer quase duas semanas internado em estado gravíssimo. A vítima tinha 66 anos e foi resgatada com desidratação, feridas pelo corpo e extrema perda de peso. Com a morte, a Polícia Civil deve atualizar a investigação e analisar o agravamento do crime de maus-tratos contra pessoa idosa.

A certidão de óbito aponta que o aposentado morreu em decorrência de uma sepse, infecção generalizada relacionada às feridas que apresentava. As lesões teriam surgido após longos períodos na mesma posição, sem movimentação e cuidados adequados. Segundo a investigação, problemas de saúde anteriores também existiam, porém a falta de higiene e assistência teria piorado significativamente o quadro.

O caso veio à tona em 13 de julho, quando as irmãs do policial conseguiram entrar na casa onde ele vivia. Familiares relatavam dificuldades para visitar o aposentado havia meses. Conforme o delegado Vladimir Freire, o homem responsável pelos cuidados impedia a entrada dos parentes e limitava alguns contatos à janela da residência.

Dentro do imóvel, as irmãs encontraram o policial extremamente magro, desidratado, com várias feridas e sem condições de se levantar sozinho. Diante da situação, familiares acionaram o Corpo de Bombeiros. Os militares realizaram o resgate e encaminharam o aposentado para atendimento médico em estado crítico.

Vítima chegou ao hospital em estado gravíssimo

O relatório médico registrou desnutrição severa, baixa resposta aos estímulos e lesões infectadas nas costas e nos glúteos. A situação clínica exigiu internação imediata. Por causa da gravidade, o policial aposentado não conseguiu prestar depoimento aos investigadores durante o período em que permaneceu hospitalizado.

No mesmo dia do resgate, a Polícia Civil prendeu em flagrante um homem de 25 anos, apontado como filho de criação da vítima. Ele era responsável pelos cuidados do aposentado. Em depoimento, afirmou que o policial enfrentava problemas de saúde e teria decidido interromper o tratamento médico por vontade própria.

Para a investigação, porém, essa versão não elimina a responsabilidade de quem assumiu os cuidados do idoso. Durante as diligências, os policiais também encontraram indícios de que o suspeito utilizava valores dos benefícios financeiros recebidos pela vítima. Por isso, além dos maus-tratos, ele foi indiciado por apropriação dos proventos do aposentado.

Antes da morte, a Polícia Civil já havia concluído o inquérito e encaminhado o procedimento ao Poder Judiciário. O documento tratava dos crimes de maus-tratos contra pessoa idosa e apropriação dos proventos da vítima. Agora, o caso deverá passar por uma atualização diante do falecimento.

Morte pode agravar situação do investigado

A legislação permite agravamento da pena quando os maus-tratos resultam na morte da vítima. Com o óbito do aposentado, a Polícia Civil deverá acrescentar a nova circunstância ao procedimento e encaminhar as informações atualizadas às autoridades responsáveis pelo processo.

Segundo o delegado responsável pelo caso, caberá ao Ministério Público avaliar eventual alteração na denúncia após receber os novos elementos. O Poder Judiciário também deverá analisar as circunstâncias da morte e decidir se existem elementos para outro enquadramento criminal, incluindo eventual acusação de homicídio.

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(O jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias, orienta o estudante de jornalismo Vinicius Lima.)

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