Uma ferramenta criada para bloquear ligações indesejadas e chamadas fraudulentas virou alvo de disputa entre operadoras de telefonia na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Enquanto a Vivo afirma que o sistema protege os clientes contra golpes e chamadas automáticas, empresas do setor alegam que o recurso também interrompe ligações legítimas. Entre os casos relatados estão contatos de hospitais, prefeituras e serviços públicos.
A discussão começou após pelo menos sete empresas questionarem o funcionamento do Vivo Anti-spam, ferramenta ativada automaticamente nas novas linhas da operadora. A Adyl Telecom afirma ter registrado mais de 16 mil ligações bloqueadas desde junho. No interior paulista, a 3corp Technology informou que mais de 800 números utilizados pela Prefeitura de Araçatuba (SP) deixaram de completar chamadas. As linhas só voltaram a funcionar após negociações com a Vivo.
Outro ponto levantado pelas empresas é o bloqueio de ligações feitas por números autenticados pelo Origem Verificada, tecnologia criada para confirmar a autenticidade das chamadas. Na avaliação do presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, filtros desse tipo podem cometer falhas semelhantes às dos serviços de e-mail. Com isso, contatos legítimos também podem ser interrompidos.
Em nota, a Vivo informou que o Anti-spam está disponível desde novembro de 2024 e bloqueia apenas ligações em massa sem identificação ou com indícios de fraude, prática conhecida como spoofing. A operadora acrescentou que números bloqueados podem solicitar revisão pelo site. Além da revisão, os clientes têm a opção de desativar a ferramenta pelo aplicativo.
Agora, a Anatel analisa as reclamações das empresas e os esclarecimentos apresentados pela Vivo. A expectativa é definir critérios que preservem o combate às chamadas abusivas sem comprometer ligações legítimas.
(O jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias, orienta o estudante de jornalismo Gabriel Maia)






