Cidades

Ex-líder de centro espírita em Goiânia é alvo de operação por suspeita de violência sexual contra mulheres

Ministério Público investiga suposto abuso da autoridade religiosa, exploração de mulheres vulneráveis e divulgação de imagens íntimas de uma vítima

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) realizou, nesta terça-feira (27 de outubro), uma operação contra o ex-presidente da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, em Goiânia. O homem é investigado por suspeita de violência sexual contra mulheres e divulgação de imagens íntimas de uma das vítimas. Segundo o órgão, ele teria utilizado sua posição de liderança religiosa para manipular mulheres e submetê-las a situações que podem configurar crimes sexuais.

Durante a operação, as equipes cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao investigado. Entre os locais vistoriados está a sede da comunidade espírita, no Jardim Guanabara II, na capital. Além disso, a Justiça autorizou a quebra do sigilo de dados telemáticos do ex-dirigente para auxiliar na investigação. A apuração começou após uma mulher que frequentava a instituição apresentar uma denúncia ao Ministério Público.

De acordo com os investigadores, o suspeito teria se aproveitado da confiança das frequentadoras e de sua influência espiritual para cometer os possíveis abusos. O Ministério Público também apura indícios de exploração de pessoas atendidas pelos projetos sociais da entidade. Nesse contexto, o investigado teria utilizado a distribuição de alimentos para conseguir materiais de conteúdo sexual.

“Há ainda indícios de que o investigado explorou a vulnerabilidade social de pessoas atendidas pelo programa assistencial da entidade, usando o fornecimento de cestas básicas como contrapartida para obter material de conteúdo sexual”, afirma o órgão. A declaração faz parte das informações divulgadas pelo Ministério Público sobre as suspeitas envolvendo o antigo dirigente da comunidade.

Justiça impõe restrições ao ex-presidente de comunidade espírita

Além das buscas, a Justiça determinou medidas cautelares contra o investigado para limitar sua atuação junto à instituição religiosa. Com isso, ele está proibido de frequentar a sede da comunidade e participar de eventos organizados pela entidade em outros espaços. O ex-presidente também deverá comparecer mensalmente à Justiça, conforme estabelecido na decisão.

O Ministério Público informou que o homem deixou a presidência da comunidade em julho de 2026, após uma assembleia geral. Desde então, a instituição passou a contar com uma nova administração e permanece temporariamente fechada. O órgão optou por divulgar apenas o nome da entidade, sem revelar a identidade do investigado. Por esse motivo, não foi possível localizar a defesa para solicitar um posicionamento sobre as acusações.

A operação reuniu integrantes da Procuradoria-Geral de Justiça, da 44ª Promotoria de Justiça de Goiânia e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Também participaram o Centro de Apoio Operacional Criminal e o Núcleo de Apoio às Vítimas (Navita). A atuação conjunta busca reunir provas e esclarecer as circunstâncias das denúncias apresentadas pelas mulheres.

Segundo o Navita, existem indícios de que as possíveis vítimas tenham sofrido violência dentro de um mesmo ambiente institucional. Dessa forma, os investigadores analisam a relação entre a posição ocupada pelo ex-dirigente e as situações relatadas. A apuração também considera a possível utilização de vínculos religiosos e assistenciais para estabelecer relações de dependência com as mulheres.

Suspeito planejava abrir novo centro religioso em Goiás

Outro ponto que chamou a atenção do Ministério Público foi a possibilidade de o investigado retomar suas atividades religiosas em outro município. Conforme o órgão, o ex-presidente estaria articulando a abertura de uma nova instituição em Santa Helena de Goiás, a aproximadamente 210 quilômetros de Goiânia. A informação passou a integrar as preocupações dos investigadores diante das denúncias já existentes.

“Isso reforçou o receio de que ele volte a usar a liderança religiosa para se aproximar de outras mulheres em situação de vulnerabilidade”, afirmou o Ministério Público. A possibilidade de criação de outro espaço religioso também foi considerada durante a avaliação das medidas impostas ao investigado.

O Ministério Público de Goiás orienta que outras possíveis vítimas ou pessoas que tenham informações relacionadas aos fatos procurem os canais oficiais da instituição. Os relatos podem ser encaminhados por telefone, e-mail ou presencialmente, para auxiliar na identificação de possíveis novos casos e no andamento das investigações.

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(O jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias, orienta o estudante de jornalismo Vinicius Lima.)

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