Ex-líder espírita é investigado por suspeita de crimes sexuais contra cinco mulheres em Goiânia
MPGO apura denúncias de abuso de autoridade religiosa e divulgação de imagens íntimas sem consentimento

O Ministério Público de Goiás (MPGO) investiga o ex-presidente da Comunidade Espírita Eurípedes Barsanulfo, em Goiânia, Moacir Mendanha Castelo, de 75 anos, por suspeita de crimes sexuais contra cinco frequentadoras da instituição. Segundo a advogada Lívia Arcângelo, que representa uma das mulheres, o dirigente usava histórias sobre vidas passadas e promessas de relacionamento para conquistar a confiança das vítimas e submetê-las a situações de abuso.
De acordo com a advogada, Moacir dizia à cliente que os dois eram “almas gêmeas” e que ela precisava sofrer para pagar uma suposta dívida de outra encarnação. Ele também afirmava que, em uma vida anterior, a mulher teria matado três pessoas com quem ele se relacionava por ciúmes. Além disso, apresentava-se como a reencarnação de Júlio César e prometia que os dois se casariam, teriam filhos e abririam uma casa no interior de Goiás.
Investigação apura abordagem de frequentadoras
Arcângelo afirma que o ex-dirigente se aproximava de mulheres durante atividades religiosas, como passes e correntes energéticas. Em seguida, escolhia algumas para atuar como médiuns e utilizava a relação de confiança para enganá-las. A advogada também acusa o investigado de divulgar fotos e vídeos íntimos da cliente sem autorização, após seu afastamento da instituição. Segundo ela, a mulher teme novas retaliações.
O MPGO iniciou a apuração após receber uma notícia-crime apresentada por uma integrante da comunidade. Conforme o órgão, há indícios de que o investigado aproveitava sua autoridade religiosa e a fé das frequentadoras para cometer violações sexuais. A investigação também apura a possível utilização de cestas básicas para obter conteúdo sexual de pessoas atendidas pela entidade. Em 27 de outubro, a Justiça autorizou quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-dirigente.
Além disso, determinou que ele compareça mensalmente em juízo e proibiu seu acesso à sede e a participação em atividades da instituição. Destituído da presidência em julho, Moacir não foi preso. A sede está temporariamente fechada e sob nova administração. O Ministério Público também apura informações de que ele estaria promovendo atividades religiosas em Santa Helena de Goiás e planejando abrir outro centro espírita.






