Ação policial em Goiás e no DF prende suspeitos de golpes financeiros pela internet
Na manhã desta quinta-feira (29), forças policiais deflagraram uma operação para combater um grupo suspeito de aplicar fraudes financeiras por meio eletrônico. A ofensiva ocorreu de forma simultânea em três unidades da federação, Goiás, Mato Grosso e o Distrito Federal e resultou no cumprimento de 14 ordens judiciais, entre prisões preventivas e mandados de busca e apreensão.
Ao todo, seis pessoas tiveram a prisão decretada, enquanto outras oito foram alvos de diligências. No Distrito Federal, os policiais atuaram em Samambaia, Areal, Ceilândia e Riacho Fundo. Já em Goiás e Mato Grosso, as ações se concentraram nos municípios de Aragarças e Barra do Garças, respectivamente, conforme detalhou a investigação.
Estrutura móvel dificultava rastreamento
Segundo a apuração, o grupo operava de maneira itinerante, alugando imóveis por curtos períodos para instalar centros temporários de operação. Nesses locais, os suspeitos montavam estruturas com computadores e impressoras, o que permitia a aplicação dos golpes e, ao mesmo tempo, dificultava o rastreamento por parte das autoridades.
Além disso, os investigadores identificaram que os criminosos utilizavam programas de automação para coletar e cruzar dados pessoais. A partir dessa análise, o grupo selecionava vítimas com perfil financeiro específico, priorizando servidores públicos com margem consignável disponível, bom histórico de crédito e ausência de restrições, considerados alvos ideais para empréstimos fraudulentos.
Para viabilizar as transações ilegais, a quadrilha recrutava pessoas em situação de vulnerabilidade social. Essas pessoas eram usadas para driblar os sistemas de reconhecimento facial de bancos digitais e abrir contas que serviam como destino dos valores desviados.
Paralelamente, um núcleo especializado em falsificação produzia documentos de identidade adulterados, utilizando dados reais das vítimas e imagens manipuladas. Com esse material, os suspeitos conseguiam avançar nos processos de validação das instituições financeiras, ampliando o alcance e a sofisticação do esquema criminoso.
Após abrir as contas digitais, o grupo passava a solicitar cartões de crédito e, em seguida, realizava pequenas movimentações financeiras. Com isso, os suspeitos simulavam uma rotina bancária regular e, gradualmente, buscavam aumentar o limite disponível. Na sequência, os criminosos avançavam para operações de maior valor, explorando a confiança gerada artificialmente pelas transações iniciais.
Além disso, a investigação revelou que a quadrilha conseguiu burlar a autenticação de dois fatores da plataforma Sou.Gov, o que permitiu elevar o nível de acesso às contas de servidores públicos e contratar empréstimos de forma fraudulenta. Como resultado, apenas nos dois casos apurados no Distrito Federal, os prejuízos chegaram a R$ 244.131,79 para o Banco Sicredi e R$ 120 mil para o Banco do Brasil.
Diante disso, a Justiça determinou o bloqueio de valores vinculados aos investigados, que poderão responder por organização criminosa e estelionato eletrônico.
(A estudante de jornalismo Renata Ferraz é orientada pelo jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Noticias)






