Cidades

Dentista presa em Goiânia tem número de vítimas elevado para 10 após novas denúncias

Três pacientes procuraram a Polícia Civil após a prisão de Valéria Ribeiro, investigada por lesões graves e deformações em procedimentos estéticos

A Polícia Civil de Goiás elevou para 10 o número de vítimas da dentista presa em Goiânia por suspeita de deformar pacientes. Três novas pacientes formalizaram denúncia nesta quinta-feira (28), poucas horas depois da prisão preventiva de Valéria Ribeiro, investigada por realizar procedimentos invasivos sem autorização específica e em local inadequado.

Segundo o delegado Wladimir Freire, os novos relatos chegaram à corporação no decorrer da operação. Antes disso, a investigação já reunia sete pacientes com sequelas graves. Agora, a polícia concentra a apuração em procedimentos estéticos e cirúrgicos feitos dentro da própria clínica da profissional, no Setor Bueno, em Goiânia.

Além disso, os investigadores afirmam que Valéria fazia intervenções de alta complexidade em uma sala odontológica comum. Entre os procedimentos citados estão rinoplastia, bichectomia e lipo de papada. Para a Polícia Civil, o espaço não tinha estrutura compatível com esse tipo de atendimento.

Durante a ação, a Vigilância Sanitária apoiou os policiais e interditou a clínica. No cumprimento dos mandados, uma funcionária também acabou presa em flagrante. Segundo o delegado William Bretz, ela tentou atrapalhar a operação ao esconder produtos e objetos ligados à investigação.

Polícia apura procedimentos invasivos e sequelas graves

As investigações começaram em 2024, depois que pacientes relataram problemas ocorridos desde 2023. De acordo com a Polícia Civil, as vítimas apresentaram infecções, deformidades, fibroses, necroses, cicatrizes permanentes e outras sequelas consideradas graves.

Além das lesões, a apuração indica que a dentista não tinha, à época dos fatos, autorização para realizar os procedimentos investigados. O Conselho Regional de Odontologia de Goiás permite algumas cirurgias invasivas, desde que o profissional comprove especialidade na área correspondente.

Ainda conforme os depoimentos, alguns atendimentos duravam mais de 12 horas. As vítimas também relataram falhas na esterilização de materiais, falta de condições sanitárias adequadas e acompanhamento anestésico insuficiente durante os procedimentos.

Em um dos casos, uma denunciante contou aos investigadores que quase precisou ser internada em uma Unidade de Terapia Intensiva. Mesmo assim, segundo o relato dela, a dentista a atendeu em casa, em vez de encaminhá-la para um hospital.

Mandados miram clínica, documentos e bens

Durante a operação, os policiais cumpriram buscas na clínica e em endereços residenciais ligados à investigada. As equipes apreenderam documentos, aparelhos eletrônicos, contratos, prontuários, equipamentos e outros materiais que podem ajudar na análise do caso.

Além da prisão preventiva, a Justiça autorizou dois mandados de busca e apreensão. A decisão também determinou o sequestro de R$ 600 mil e de bens patrimoniais vinculados à investigação.

Com isso, a Polícia Civil apura indícios de exercício ilegal da medicina, funcionamento irregular do estabelecimento e possível uso de técnicas proibidas pelas normas de fiscalização profissional. Os investigadores devem analisar cada procedimento relatado pelas vítimas.

Em nota divulgada à imprensa no momento da prisão, a defesa da dentista informou que ainda não tinha acesso integral ao processo. O Mais Goiás procurou a defesa novamente nesta sexta-feira (29) e aguarda um novo posicionamento.

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(O jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias, orienta o estudante de jornalismo Vinicius Lima.)

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