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Incêndio atinge mais de 10 mil hectares do Parque Estadual de Terra Ronca em Goiás

Fogo já alcançou 18,13% da unidade de conservação no Nordeste goiano, enquanto cerca de 40 profissionais trabalham no combate às chamas

Um incêndio no Parque Estadual de Terra Ronca, no Nordeste de Goiás, já atingiu 10.332 hectares dentro da unidade de conservação. O levantamento é do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o Lasa/UFRJ. A área afetada representa 18,13% dos cerca de 57 mil hectares do parque, localizado entre São Domingos e Guarani de Goiás.

Os primeiros focos surgiram em 10 de agosto, segundo o Corpo de Bombeiros. Até quarta-feira (12), a corporação contabilizava aproximadamente 8 mil hectares de vegetação atingidos. Já o levantamento do Lasa considera especificamente a extensão queimada dentro dos limites do Parque Estadual de Terra Ronca.

Atualmente, cerca de 40 profissionais especializados, entre bombeiros militares e brigadistas florestais, atuam diretamente no combate ao incêndio. As equipes monitoram o avanço das chamas, reconhecem as áreas afetadas e definem estratégias de contenção. Além disso, os profissionais trabalham para proteger regiões consideradas ambientalmente sensíveis.

Paralelamente, as autoridades realizam a Operação Abafa Terra Ronca na Área de Proteção Ambiental da Serra Geral de Goiás, no parque e em áreas próximas. A ação busca identificar possíveis causas dos incêndios e localizar responsáveis por eventuais crimes ambientais. As equipes também reforçam a fiscalização diante do aumento dos focos durante a estiagem.

Calor, seca e baixa umidade dificultam combate ao incêndio

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad) alerta que as condições climáticas atuais aumentam significativamente o risco de incêndios. Segundo o órgão, a influência de um “super El Niño”, associada ao período de estiagem, favorece o surgimento e a propagação das chamas.

Além disso, as temperaturas elevadas, a baixa umidade do ar, a redução das chuvas e a vegetação seca aceleram o avanço do fogo. Essas condições também dificultam o trabalho dos bombeiros e brigadistas, principalmente em regiões de acesso limitado e com grandes extensões de vegetação.

Em 2026, o Corpo de Bombeiros já atendeu quase 5 mil ocorrências de incêndios florestais em Goiás. Ao mesmo tempo, dados do Lasa/UFRJ apontam que o fogo já atingiu mais de 100 mil hectares no estado desde o início do ano.

O cenário preocupa especialmente em Terra Ronca devido à importância ambiental da região. O parque protege um dos principais patrimônios espeleológicos de Goiás, além de áreas fundamentais para a preservação da fauna, da flora e dos recursos hídricos. A unidade também abriga diferentes ecossistemas característicos do Cerrado goiano.

Goiás proíbe uso do fogo durante período crítico

Diante do período de estiagem e do elevado risco de novos incêndios, Goiás decretou situação de emergência ambiental. Entre as medidas adotadas, o estado proibiu o uso do fogo para limpeza de terrenos durante o período de maior vulnerabilidade.

A Semad também alerta que provocar incêndio em mata ou floresta configura crime ambiental. O artigo 41 da Lei Federal nº 9.605/1998 prevê pena de reclusão de dois a quatro anos, além de multa, para quem provocar incêndio em mata ou floresta.

A legislação também estabelece punições para outras modalidades previstas no próprio artigo. Por isso, órgãos ambientais intensificam ações de prevenção, fiscalização e responsabilização durante os meses mais secos do ano.

Enquanto isso, bombeiros e brigadistas continuam atuando para conter o incêndio no Parque Estadual de Terra Ronca e impedir que as chamas avancem sobre novas áreas de vegetação protegida.

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(O jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias, orienta o estudante de jornalismo Vinicius Lima.)

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