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Vídeo: incêndio em terreiro de Goianira levanta suspeita de ataque religioso

Um incêndio na madrugada desta terça-feira (2) destruiu parte do terreiro Ilé Oba Òfuurufú Àse Afééfé Ayò, em Goianira, e levantou suspeitas de ataque religioso. As chamas começaram por volta das 3h e atingiram diretamente o barracão onde são realizados os rituais.

No momento do fogo, integrantes dormiam no local entre eles dois iaôs em período de recolhimento. O babalorixá responsável pelo templo, Max Muller Santos Rodrigues, registrou boletim de ocorrência e afirma que há indícios claros de crime direcionado.

Segundo o sacerdote, o terreiro havia encerrado um ciclo intenso de atividades religiosas no fim de semana. Entretanto, o descanso terminou abruptamente. “Acordei com meus filhos gritando ‘pai, fogo!’. Quando cheguei ao barracão, já estava tudo tomado pelas chamas”, relatou Max Muller. O incêndio destruiu materiais sagrados e parte da estrutura física do espaço.

Apesar do impacto, os próprios integrantes conseguiram conter o avanço do fogo antes que ele atingisse outros setores do terreiro. Logo depois, Max Muller entregou imagens de segurança à Polícia Civil. De acordo com ele, o vídeo mostra um homem chegando ao local, despejando gasolina e ateando fogo.

Câmeras mostram ação do suspeito

O suspeito estava de capuz e manteve o farol do veículo alto, dificultando a identificação da placa. “Pelas câmeras dá para ver claramente que alguém jogou gasolina e colocou fogo. Ele foi muito esperto: de capuz, farol alto, tudo para não ser identificado”, afirmou.

Além disso, Max Muller revelou que, desde julho, sofre hostilidades de um ex-integrante do terreiro. O homem, segundo o babalorixá, foi desligado após descumprir regras internas e, desde então, teria feito ameaças constantes. Na ocasião, o sacerdote já havia registrado outro boletim de ocorrência por calúnia e intimidação.

A Polícia Civil investiga o caso e deve analisar as imagens para tentar identificar o autor do incêndio. Enquanto aguarda o avanço das apurações, o terreiro pretende reforçar a segurança e acompanhar o trabalho das autoridades. A suspeita é de crime motivado por intolerância religiosa, mas outras linhas de investigação não estão descartadas.

(A estudante de jornalismo Renata Ferraz é orientada pelo jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Noticias)

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