Jovem com queimaduras segue em estado gravíssimo na UTI e polícia apura tentativa de feminicídio
Mulher foi incendiada dentro de casa na frente da filha de 3 anos, que contradiz versão de acidente apresentada pelo pai
Uma jovem de 23 anos permanece internada em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia, após sofrer queimaduras dentro da própria casa, em Aparecida de Goiânia. Segundo boletim médico divulgado na segunda-feira (3), Emilli Vitória Guimarães Lopes está entubada, respira com auxílio de aparelhos e não tem previsão de alta. A Polícia Civil investiga o caso como possível tentativa de feminicídio.
O episódio ocorreu na noite de quarta-feira (28/1), mas só chegou oficialmente à Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) dois dias depois. A investigação avançou após a filha do casal, de 3 anos, afirmar que o pai ateou fogo na mãe, o que levantou dúvidas sobre a versão inicial apresentada pelo homem, de 22 anos.
Familiares relataram que uma cunhada avisou a mãe da vítima sobre a gravidade do quadro na sexta-feira (30). Diante da situação, ela procurou a Justiça e solicitou medida protetiva em favor da filha, conforme registro do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO).
Ao prestar esclarecimentos, o namorado afirmou que o ocorrido teria sido um acidente doméstico. Ele alegou que Emilli utilizava álcool na cozinha enquanto preparava o jantar, quando o produto teria provocado um incêndio. Segundo o relato, ele teria prestado socorro imediato e não avisado a família a pedido da própria vítima. No entanto, o depoimento espontâneo da criança contestou a versão, ao afirmar que presenciou o pai colocar fogo na mãe.
A família também informou à polícia que Emilli já havia sofrido agressões anteriores durante o relacionamento. Em uma ocasião, ela chegou a se afastar e ficar na casa da mãe, mas depois retomou a convivência. Vizinhos relataram brigas frequentes no apartamento, principalmente aos fins de semana.
A Polícia Civil apura o caso como violência doméstica e investiga a hipótese de tentativa de feminicídio. A vítima ainda não apresenta condições clínicas de prestar depoimento, e, até o momento, não há mandado de prisão contra o suspeito. A investigação segue sob sigilo para preservar a mulher e a filha, considerada vítima indireta da violência.
(A estudante de jornalismo Mabily Sangy é orientada pelo jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias)






