Justiça mantém júri popular de ex-noivo acusado de matar advogada e simular suicídio em Itaberaí
TJGO rejeita recurso da defesa por unanimidade e confirma julgamento por feminicídio; crime ocorreu em 2018 e gerou comoção
A Justiça de Goiás manteve o julgamento pelo Tribunal do Júri do agropecuarista Luís Felipe Silva Lima, acusado de matar a advogada Jordana Fraga Martins David e simular um suicídio, em Itaberaí. A decisão confirma que o réu responderá por feminicídio diante de jurados populares.
A Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) analisou o recurso da defesa e, por unanimidade, negou o pedido, mantendo a decisão de pronúncia. O julgamento teve como relator o juiz substituto em segundo grau Hamilton Gomes Carneiro.
Segundo o Ministério Público, o crime ocorreu em outubro de 2018, após uma discussão motivada por ciúmes. Jordana, de 22 anos, morreu com um disparo à queima-roupa na cabeça. A acusação sustenta que, após o homicídio, o então noivo tentou alterar a cena do crime para simular um suicídio, posicionando o corpo e a arma de forma a induzir a investigação ao erro.
Durante o processo, a Justiça adotou medidas cautelares, como a apreensão do passaporte do acusado, após a informação de que ele teria comprado uma passagem para Miami, nos Estados Unidos.
Entenda o caso
A mãe da vítima, Lélia Fraga Martins David, encontrou o corpo da jovem em um terreno baldio ao lado da casa da família. Inicialmente tratado como suicídio, o caso teve a dinâmica revista após perícia apontar inconsistências na versão apresentada.
No dia do crime, Jordana havia saído para votar e, conforme relatos, demonstrava tranquilidade e fazia planos para o futuro. A investigação apontou que, após uma discussão, o suspeito matou a vítima dentro da residência.
Histórico de violência
As investigações indicaram que o relacionamento era marcado por episódios de controle e agressões. De acordo com a denúncia, a vítima havia se afastado do convívio social e vivia sob pressão psicológica constante, em um contexto de comportamento possessivo do companheiro.
Conduta após o crime
Para o Ministério Público, o comportamento do acusado após o crime reforça a suspeita de tentativa de encobrimento. Ele teria ligado para a mãe da vítima demonstrando preocupação apenas com o paradeiro da arma e adotado atitudes consideradas incompatíveis com a gravidade da situação.
Dor da família
A mãe de Jordana relatou, em entrevistas após o crime, o impacto da perda. “Uma mãe, quando perde um filho, não vive, ela sobrevive”, afirmou.
O caso gerou forte comoção em Itaberaí e passou a simbolizar o debate sobre violência contra a mulher e relacionamentos abusivos. A família da vítima aguarda a realização do júri popular, na expectativa de responsabilização do acusado.
(A estudante de jornalismo Mabily Sangy é orientada pelo jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias)






