Justiça solta advogada de Anápolis investigada por fraude milionária contra a Zema Financeira
Jéssika Lorrane deixou o presídio, mas segue investigada por suposta ligação com esquema contra a Zema Financeira e investidores
A Justiça revogou a prisão preventiva da advogada Jéssika Lorrane Bastos de Castro, de 35 anos, investigada em um esquema financeiro milionário. A decisão foi cumprida na noite do dia 6, e ela deixou o presídio poucos dias após ser presa em Anápolis.
O advogado Marcelo Teixeira, responsável pela defesa, confirmou a libertação da cliente. “Já deve estar em casa”, afirmou. Contudo, a revogação da prisão não encerra a investigação nem afasta uma possível responsabilização criminal.
Jéssika é companheira do empresário Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos, dono da fintech Naskar Gestão de Ativos. A polícia considera Douglas um dos principais investigados e também obteve uma ordem de prisão preventiva contra ele.
Porém, o empresário deixou o Brasil antes do cumprimento do mandado e viajou para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Segundo a apuração, ele permanece fora do país.
Polícia apura invasão à Zema Financeira
A investigação apura uma invasão aos sistemas da Zema Financeira, empresa ligada à família do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Os suspeitos teriam usado credenciais comprometidas para acessar as plataformas internas.
Em seguida, o grupo teria realizado transferências via Pix para contas ligadas aos investigados. A ação teria causado um prejuízo de R$ 75 milhões, com aproximadamente R$ 60 milhões desviados.
A própria instituição identificou movimentações atípicas no fim de 2025 e comunicou o caso às autoridades. Desde então, os investigadores analisam contas bancárias, registros digitais e o destino dos recursos.
Além disso, a polícia investiga a atuação da Naskar Gestão de Ativos. A fintech captava dinheiro de investidores e prometia rendimentos superiores aos praticados pelo mercado financeiro.
Prejuízo pode atingir 3 mil investidores
Posteriormente, a empresa teria enfrentado dificuldades financeiras e interrompido pagamentos e devoluções. As autoridades estimam que cerca de 3 mil investidores tenham sido prejudicados em todo o país.
O prejuízo relacionado às operações da Naskar pode chegar a R$ 900 milhões. Por isso, a polícia busca identificar como o grupo captou, movimentou e distribuiu os valores.
Os investigadores incluíram Jéssika na apuração por causa da ligação com Douglas e de uma empresa registrada em nome dela. Também analisam movimentações financeiras e registros associados ao endereço onde o casal morava, em Anápolis.
Enquanto isso, a OAB Goiás informou que não recebeu comunicação prévia sobre a operação, como prevê a legislação em casos envolvendo advogados. O inquérito continua, e a Justiça avaliará eventuais acusações após a conclusão das investigações.
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(O jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias, orienta o estudante de jornalismo Vinicius Lima.)






