Justiça solta esposa de delegado investigado e impõe tornozeleira eletrônica em Rio Verde
Desembargador substitui prisão preventiva por medidas cautelares e determina liberação imediata de Karen Proto, presa há um mês
A Justiça de Goiás determinou a soltura de Karen de Souza Santos Proto, esposa do delegado Dannilo Ribeiro Proto, investigada por integrar um grupo suspeito de fraudar contratos na área da educação. O desembargador Oscar Sá Neto substituiu a prisão preventiva por liberdade provisória com uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares. A decisão saiu na noite de sexta-feira (27/2), e a Justiça expediu o alvará de soltura imediatamente.
A Polícia prendeu Karen preventivamente, durante a terceira fase da Operação Regra Três, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, do MP do Estado de Goiás. As investigações apontam que ela teria participado de um esquema de fraudes em contratos educacionais, além de supostamente favorecer o marido, que já estava preso.
Fraude na educação
Segundo o Ministério Público, o grupo manteve o esquema de desvios e fraudes mesmo após a prisão do delegado, com atuação de pessoas próximas. A acusação afirma que Karen manteve contato com o marido enquanto ele estava custodiado na DIH, em Goiânia, para repassar orientações e alinhar estratégias relacionadas ao suposto esquema.
As apurações indicam ainda que Karen ocupava um cargo estratégico na área educacional e, a partir dessa posição, contribuiu para manter contratos considerados irregulares. Durante a investigação, as autoridades cumpriram mandados de busca e apreensão em Rio Verde e recolheram celulares, documentos e equipamentos eletrônicos. O MP também apura suspeita de tentativa de falsificação de certidão para regularizar um programa de estágio vinculado à Prefeitura de Rio Verde e possível articulação para manter privilégios ao delegado no sistema prisional.
Argumentos da defesa
Os advogados ingressaram com habeas corpus no Tribunal de Justiça de Goiás e sustentaram que a prisão carecia de fundamentos concretos. A defesa destacou que Karen é primária, não possui antecedentes criminais, tem residência fixa, atua como proprietária de instituto profissionalizante e leciona na rede estadual.
Os defensores também informaram que ela enfrenta problemas de saúde, , e que não estava submetida a medidas cautelares antes da prisão. Além disso, questionaram a validade das provas digitais, alegando falhas na cadeia de custódia e na extração de dados. Após a negativa inicial da liminar, o relator reconsiderou a decisão com base em novos documentos e argumentos.
Por que a Justiça autorizou a soltura?
Ao reavaliar o caso, o desembargador afirmou que a prisão preventiva é uma medida excepcional e só deve ocorrer quando outras providências não garantem a ordem pública e o regular andamento do processo. Para o magistrado, medidas menos gravosas podem neutralizar o risco de Karen atuar como intermediária entre o marido preso e o meio externo. Ele ressaltou que os crimes investigados não envolvem violência ou grave ameaça direta à pessoa.
Com isso, a Justiça impôs medidas cautelares, entre elas: uso de tornozeleira eletrônica; suspensão do exercício de função pública; proibição de acesso a órgãos ligados à investigação; impedimento de visitar unidades prisionais ou delegacias onde o marido esteja custodiado; proibição de contato com outros investigados, testemunhas ou vítimas; comparecimento a todos os atos do processo; restrição para se ausentar da comarca sem autorização judicial; e obrigação de manter endereço atualizado. O magistrado advertiu que o descumprimento pode levar à revogação do benefício.
Operação segue em andamento
A Operação Regra Três apura um suposto esquema milionário envolvendo contratos públicos na área da educação em Goiás. O sistema prisional já havia prendido o delegado Dannilo Ribeiro Proto em fases anteriores e o transferido de unidade após receber denúncias de comunicação indevida.
O processo tramita sob sigilo. O habeas corpus ainda passará por análise do colegiado em sessão virtual, mas, até nova decisão, Karen Proto responde às acusações em liberdade, sob medidas cautelares.
(A estudante de jornalismo Mabily Sangy é orientada pelo jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias)






