Justiça torna réus técnicos de enfermagem por mortes de pacientes em UTI de hospital no DF
Denúncia aceita pela Justiça do Distrito Federal aponta que profissionais teriam causado óbitos de forma deliberada no Hospital Anchieta; um dos envolvidos reside em Goiás.
O que era uma investigação de alta complexidade sobre a conduta de profissionais de saúde em unidades de terapia intensiva (UTI) avançou para a esfera judicial. A Justiça do Distrito Federal aceitou, nesta quarta-feira (18), a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra técnicos de enfermagem acusados de envolvimento direto nas mortes de pacientes no Hospital Anchieta, em Taguatinga.
Entre os novos réus está um técnico de enfermagem que reside em Goiás, no Entorno do DF. A decisão judicial transforma os investigados em réus por homicídio qualificado, em um caso que gerou forte comoção e revolta nas redes sociais e entre familiares das vítimas.
O Hospital Anchieta, onde os crimes teriam ocorrido, informou em notas anteriores que colabora integralmente com as investigações e que afastou os profissionais assim que as primeiras suspeitas surgiram. Nas redes sociais, perfis de notícias e grupos de familiares das vítimas clamam por justiça e por uma fiscalização mais rigorosa nos conselhos de classe (Coren).
A defesa dos técnicos de enfermagem nega as acusações, sustentando que os óbitos foram decorrentes da gravidade do quadro clínico dos pacientes e que não há provas materiais robustas que liguem diretamente a conduta dos profissionais ao resultado morte.
Com a aceitação da denúncia, inicia-se a fase de instrução processual, em que testemunhas de acusação e defesa serão ouvidas. Se condenados, os réus podem enfrentar penas que ultrapassam os 30 anos de reclusão para cada homicídio comprovado.
O Conselho Regional de Enfermagem (Coren-DF e Coren-GO) também mantém processos ético-disciplinares abertos, que podem resultar na cassação definitiva do registro profissional dos envolvidos.





