Cidades

Técnicos de enfermagem são presos por homicídios em série após injetar detergente em pacientes no DF

Investigação aponta que grupo alterou prescrições no sistema do hospital e aplicou substâncias químicas na veia, provocando a morte de ao menos três pessoas

A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu três técnicos de enfermagem, suspeitos de praticar homicídios em série contra pacientes internados no Hospital Anchieta, em Taguatinga. As investigações apontam que os crimes ocorreram por meio da aplicação indevida de detergente e de um composto químico na veia das vítimas. O hospital informou que identificou irregularidades, realizou apuração interna e denunciou o caso às autoridades.

Vítimas morreram após aplicações intravenosas irregulares

A polícia identificou três vítimas: uma professora aposentada de 75 anos; um servidor público de 63 anos; e um servidor público de 33 anos. Segundo a corporação, as substâncias aplicadas não possuem indicação para uso intravenoso e podem causar parada cardíaca sem deixar vestígios claros, o que teria provocado a morte dos pacientes.

A operação iniciou a primeira fase em 11 de janeiro, com apoio do Departamento de Polícia Especializada (DPE), quando a Justiça determinou a prisão temporária de dois investigados. Na ação, os agentes também cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços de Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás. No dia 16, a polícia deflagrou nova ofensiva para aprofundar as investigações.

As apurações indicam que o grupo atuava de forma coordenada dentro da rotina hospitalar. De acordo com a PC, o técnico de 24 anos assumia a liderança do esquema e acessava indevidamente o sistema eletrônico do hospital, que estava aberto em nome de um médico, para prescrever medicamentos incompatíveis com o quadro clínico das vítimas. Em seguida, ele retirava os produtos na farmácia da unidade e realizava as aplicações sem autorização médica.

Em dois casos, as aplicações ocorreram em 17 de novembro de 2025, e a terceira em 1º de dezembro. No caso da paciente de 75 anos, o técnico ainda teria aplicado desinfetante ao menos dez vezes com uma seringa. Para tentar disfarçar a autoria dos crimes, ele realizava massagens cardíacas nas vítimas após as aplicações, simulando tentativas de reanimação.

Câmeras da UTI reforçaram provas contra os suspeitos

Imagens das câmeras de segurança da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) reforçaram as suspeitas. As gravações registraram a presença dos técnicos nos leitos das vítimas em horários compatíveis com os procedimentos irregulares. Inicialmente, os três negaram envolvimento, mas acabaram confessando após serem confrontados com as provas reunidas pelos investigadores.

Segundo a PC, o homem de 24 anos executava diretamente as aplicações, enquanto as duas mulheres, auxiliaram em pelo menos dois episódios, oferecendo suporte logístico e facilitando o acesso aos pacientes. A investigação segue sob sigilo para apurar a dinâmica completa dos crimes.

Hospital afirma que denunciou o caso e colaborou com as autoridades

Em nota oficial, o Hospital Anchieta afirmou que instaurou um comitê interno ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas aos óbitos na UTI, conduziu investigação própria e encaminhou as evidências às autoridades. A instituição declarou que colaborou com a instauração do inquérito policial, prestou esclarecimentos às famílias e reafirmou o compromisso com a segurança dos pacientes, a transparência e a justiça.

(A estudante de jornalismo Mabily Sangy é orientada pelo jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias)

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo