Cidades

Influenciadora de Rio Verde é condenada por ataques contra guarda civil municipal

Justiça de Goiás aponta esquema para espalhar acusações falsas nas redes sociais; ré é reincidente e terá de cumprir pena em regime semiaberto

A influenciadora digital Adriana José da Silva, de Rio Verde (GO), atacou virtualmente um guarda civil municipal (GCM) e foi condenada pela Justiça. O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) concluiu que ela articulou um esquema para disseminar informações falsas e ofensivas na internet, utilizando o próprio perfil no Instagram para simular interações de seguidores e reforçar acusações contra a vítima.

A Justiça analisou publicações feitas entre os dias 8 e 9 de novembro de 2023. Nesse período, Adriana divulgou vídeos e textos com acusações contra o agente público, incluindo relatos de supostos relacionamentos extraconjugais e uso indevido de viatura oficial. As postagens alcançaram cerca de cinco mil visualizações.

Pela prática de difamação, o Judiciário fixou pena de 1 ano e 2 meses de detenção, em regime inicial semiaberto, além de 48 dias-multa. Como a influenciadora já possui condenação anterior, a Justiça agravou a pena e determinou o pagamento de R$ 3 mil por danos morais.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa da influenciadora. O espaço segue aberto para manifestação.

Reincidência e novo processo

Esta é a segunda condenação de Adriana José da Silva por crimes contra a honra. No primeiro caso, a Justiça a condenou por calúnia e injúria contra outro guarda civil municipal. Na ocasião, ela publicou conteúdos falsos afirmando que o agente teria ameaçado pessoas com uma arma em um posto de combustível.

Nesse processo, a Justiça estabeleceu pena de 2 anos, 8 meses e 21 dias de detenção, além de 96 dias-multa e indenização de R$ 1 mil.

Esquema estruturado e tentativa de ocultação

As investigações da Polícia Civil apontaram que a influenciadora utilizava um método estruturado para atacar vítimas. Ela criava perguntas e comentários nas ferramentas do próprio Instagram, como caixas de perguntas, e publicava o conteúdo como se seguidores tivessem enviado as mensagens. A estratégia dava aparência de legitimidade às acusações.

A decisão judicial também revelou que Adriana teve um perfil bloqueado anteriormente, mas criou novas contas para continuar as postagens ofensivas. Os investigadores identificaram ainda tentativas de apagar conteúdos remotamente dos aparelhos, numa ação para dificultar a apuração dos fatos.

Outras denúncias

O Ministério Público de Goiás (MPGO) registrou dezenas de ocorrências contra a influenciadora por crimes contra a honra, muitas envolvendo outras pessoas e influenciadores digitais. No entanto, o órgão apresentou denúncias formais apenas nos casos que envolvem servidores públicos, já que, nessas situações, cabe ao MP promover a ação penal. Nos demais casos, a iniciativa depende das próprias vítimas, por meio de queixa-crime.

(A estudante de jornalismo Mabily Sangy é orientada pelo jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias)

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