Justiça aumenta penas de PMs por chacina no Jardim das Aroeiras, em Goiânia
Tribunal eleva condenação para 13 anos em regime fechado, afasta legítima defesa e determina perda dos cargos públicos
A Justiça de Goiás aumentou de 7 para 13 anos, em regime fechado, a pena de cinco policiais militares condenados pela morte de três adolescentes no Jardim das Aroeiras, em Goiânia. A decisão de segunda instância também determinou a perda dos cargos públicos e endureceu a punição ao reconhecer o uso excessivo da força, afastando a tese de legítima defesa.
Os PMs George Gomes de Souza, Pablo Andrade Corrêa, Paulo Henrique Borges, Ricardo Martins Vinhadelli e Willian Kennedy Palmieri Capucho Leão foram condenados pelo assassinato de Walisson Barros dos Santos, Maycon Ferreira Conceição da Silva e Pedro Henrique Souza Santos, mortos em 2018 durante uma ação de uma equipe do GIRO.
Segundo a versão apresentada pelos policiais, a equipe recebeu tiros ao chegar ao local onde os jovens estavam reunidos. No entanto, a perícia não encontrou nenhuma arma com as vítimas. Os militares alegaram ter recolhido armamentos do chão enquanto os adolescentes ainda estariam vivos, mesmo após disparos que atingiram órgãos vitais.
Denúncia do Ministério Público
A denúncia do Ministério Público de Goiás aponta outra dinâmica. De acordo com o órgão, os policiais invadiram a residência sem mandado sob a justificativa de que havia um veículo roubado na garagem. Testemunhas relataram ter visto agentes levando uma sacola com armas e drogas para dentro do imóvel, o que indicaria tentativa de forjar provas. O suposto veículo roubado também não seria visível da rua.
Ao analisar o recurso, os desembargadores rejeitaram pedidos da defesa, como a anulação do júri e o reconhecimento de legítima defesa. Para o tribunal, a decisão dos jurados se baseou em provas consistentes e não havia justificativa para revisão.
Laudos periciais foram decisivos para o aumento da pena. Os exames apontaram que não houve troca de tiros e que os adolescentes não utilizaram as armas que lhes foram atribuídas. Em um dos casos, o armamento sequer possuía munição. A análise da cena indicou disparos em regiões vitais, caracterizando, segundo o tribunal, uma ação que ultrapassou uma reação imediata.
As investigações também apontaram que os policiais se dividiram para perseguir os jovens, que tentavam fugir, e efetuaram diversos disparos. Os disparos atingiram uma das vítimas três vezes, enquanto atingiram outra nove vezes.
Relatos incluídos no processo indicam ainda que familiares dos adolescentes sofreram ameaças.
A avó de uma das vítimas afirmou que policiais a agrediram e intimidaram. Meses depois, um dos mesmos agentes matou outro integrante da família em um novo caso.
(A estudante de jornalismo Mabily Sangy é orientada pelo jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias)






