Esporte

Goiano que começou treinando contra a parede de casa conquista título juvenil de Roland Garros e assume liderança mundial

Natural de Goianésia, Guto Miguel, de 17 anos, venceu o norte-americano Michael Antonius na final e se tornou o primeiro brasileiro campeão da chave juvenil masculina do Grand Slam francês

O tênis brasileiro ganhou um novo capítulo histórico neste sábado (6). O goiano Luís Augusto Queiroz Miguel, o Guto Miguel, de 17 anos, venceu o norte-americano Michael Antonius por 2 sets a 0, com parciais de 6/3 e 6/4, e conquistou o título juvenil de Roland Garros. Com a campanha em Paris, o atleta também confirmou a liderança do ranking mundial da categoria.

Natural de Goianésia, no Vale do São Patrício, Guto alcançou o maior título da carreira poucos anos depois de iniciar sua trajetória no esporte de forma simples. Aos cinco anos, ele treinava batendo bolinhas na parede de casa enquanto acompanhava os treinos do pai, Luís Miguel, e do irmão mais velho, Luís Felipe Miguel, ambos praticantes da modalidade.

O apelido “Guto” surgiu justamente por ser o caçula da família. Ainda criança, ele se mudou para Goiânia, onde intensificou os treinamentos e começou a construir o caminho que o levaria ao cenário internacional.

Mudança

Aos 14 anos, o tenista enfrentou uma das decisões mais importantes da carreira. Ele deixou Goiânia e se mudou para Brasília em busca da profissionalização. Inicialmente, sem garantias de sucesso, apostou no projeto esportivo na capital federal. Pouco tempo depois, a família também se transferiu para a cidade para acompanhar sua evolução.

Em Brasília, Guto passou a trabalhar com os treinadores Dumont Guimarães e Kike Granjeiro, profissionais que permanecem ao seu lado até hoje. Sob a orientação da dupla, o jovem acumulou resultados expressivos no circuito juvenil.

A trajetória em Roland Garros começou a ganhar força em 2024, quando disputou pela primeira vez o torneio juvenil. Na ocasião, venceu o britânico Benjamin Gusic-Wan na estreia, mas foi eliminado na segunda rodada pelo japonês Rei Sakamoto, então número 1 do mundo.

Referências

A evolução foi rápida. Em 2025, o goiano alcançou a semifinal do US Open juvenil e conquistou o J500 de Mérida, tornando-se o primeiro brasileiro a vencer um torneio dessa categoria desde Orlando Luz, em 2015. No período, também ganhou experiência ao treinar com o dinamarquês Holger Rune, além de passar uma semana na academia de Rafael Nadal, na Espanha.

Guto também dividiu quadra com João Fonseca, uma das principais referências da nova geração do tênis brasileiro. Em 2026, venceu o J300 de Traralgon, na Austrália, em simples e duplas, chegou às quartas de final do Australian Open juvenil e iniciou a transição para o circuito profissional ao lado do irmão Luís Felipe.

Neste ano, o goiano também estreou no Rio Open, torneio ATP 500, onde enfrentou o lituano Vilius Gaubas. Apesar da derrota, a participação representou mais um passo na adaptação ao alto nível do circuito profissional.

Em Roland Garros, Guto construiu uma campanha dominante. Ele superou Hyu Kawanishi, do Japão, Ryan Cozad, dos Estados Unidos, Nicolas Baena, do Peru, Thilo Behrmann, da Áustria, e o brasileiro Leonardo Storck até chegar à decisão. Na final, confirmou o favoritismo e derrotou Michael Antonius em sets diretos para levantar a taça.

Além do título, o triunfo garantiu ao goiano um feito inédito para o tênis nacional. Guto se tornou o primeiro brasileiro campeão da chave juvenil masculina de simples de Roland Garros, consolidando seu nome entre as principais promessas do esporte mundial.

(A estudante de jornalismo Mabily Sangy é orientada pelo jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias)

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