Cidades

Operação em Goiânia desmonta esquema milionário de revenda de remédios roubados contra o câncer

Grupo usava empresas de fachada para vender medicamentos oncológicos a hospitais e participar de licitações públicas

A Polícia Civil deflagrou, em 21 de julho de 2026, uma operação contra o roubo e a revenda ilegal de medicamentos contra o câncer. Os agentes cumpriram um mandado de busca e apreensão em Goiânia. Segundo a investigação, empresas instaladas em Goiás ajudavam a inserir os produtos roubados no mercado regular.

Batizada de Operação Metástase, a ação cumpriu 102 mandados judiciais em Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Pará. A Justiça expediu cinco ordens de prisão preventiva e 97 mandados de busca e apreensão. Além disso, determinou o bloqueio de R$ 30 milhões dos investigados.

A decisão judicial também autorizou o sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens ligados ao grupo. Conforme a polícia, os integrantes compraram parte do patrimônio com recursos obtidos no esquema criminoso. As equipes agora analisam documentos, aparelhos eletrônicos e materiais recolhidos durante as buscas.

A organização movimentou mais de R$ 33 milhões em apenas um ano, segundo a Polícia Civil. Para esconder a origem dos medicamentos, o grupo utilizava pelo menos 25 empresas de fachada. Essas companhias funcionavam em quatro estados e davam aparência legal às negociações.

Remédios roubados chegavam a hospitais

Os criminosos concentravam as ações em cargas de medicamentos oncológicos e imunossupressores de alto custo. Após os roubos, os responsáveis pela receptação revendiam os produtos para hospitais particulares. Parte dos remédios também aparecia em propostas apresentadas em processos licitatórios.

Como não pagava pelos medicamentos de forma legal, o grupo conseguia oferecer preços inferiores aos praticados no mercado. Dessa forma, as empresas ligadas ao esquema ganhavam vantagem nas negociações. Enquanto isso, os compradores recebiam produtos sem garantia de procedência ou conservação adequada.

A polícia alerta que a prática ameaçava a segurança da cadeia de distribuição de medicamentos essenciais. Qualquer falha no armazenamento pode comprometer a eficácia dos produtos. Consequentemente, pacientes em tratamento contra o câncer enfrentavam riscos causados pela circulação irregular desses remédios.

Durante a apuração, os investigadores descobriram que funcionários de transportadoras repassavam informações aos criminosos. Eles informavam rotas, horários e detalhes sobre as cargas transportadas. Assim, o grupo conseguia escolher caminhões que levavam medicamentos de maior valor.

Organização tinha proteção armada

A organização dividia as atividades entre diferentes núcleos. Alguns integrantes executavam os roubos, enquanto outros cuidavam da receptação e da movimentação financeira. Além disso, equipes ofereciam apoio logístico e proteção armada durante as ações criminosas.

Segundo a investigação, o grupo também recebeu apoio da facção Terceiro Comando Puro, conhecida como TCP. A facção oferecia proteção territorial aos envolvidos. Esse suporte facilitava o armazenamento, a circulação e a comercialização das cargas roubadas.

Os investigadores atribuem ao esquema pelo menos 40 roubos de cargas nos últimos seis meses. A polícia também apura a possível prática de mais de 20 crimes previstos no Código Penal. Entre eles estão roubo, receptação, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Durante a operação, os policiais prenderam Stefano Montovani Fernandes em São Paulo. Apontado como um dos líderes, ele escondia medicamentos contra o câncer dentro de um veículo Jaguar. Os agentes apreenderam o carro e recolheram os produtos encontrados.

Suspeitos negam envolvimento

A polícia também prendeu Fernanda Rodrigues França, investigada por atuar no núcleo de receptação dos medicamentos. Além dela, os agentes capturaram Umberto Xavier de Lima. Os investigadores suspeitam que ele recebia e comercializava produtos retirados de cargas roubadas.

De acordo com a Polícia Civil, Stefano, Fernanda e Umberto negaram participação no esquema. As defesas dos investigados não foram informadas. Os agentes seguem analisando o material apreendido para identificar movimentações financeiras e conexões com outras empresas.

A operação ocorreu em Goiânia, Rio de Janeiro, São Paulo, Santo André, São Caetano do Sul e Belém. No Complexo da Maré, policiais enfrentaram criminosos durante o cumprimento dos mandados. Integrantes do grupo também incendiaram barricadas para dificultar o avanço das equipes.

A Polícia Civil mantém as investigações para localizar outros integrantes da organização. Além disso, os agentes apuram se novas empresas participaram da distribuição dos medicamentos roubados. O trabalho busca identificar todo o caminho percorrido pelos produtos até hospitais e unidades públicas.

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(O jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias, orienta o estudante de jornalismo Vinicius Lima.)

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