Cidades

Peixes aparecem mortos após derramamento de produtos químicos em córrego de Professor Jamil

Morte de peixes, água rosada e retirada de animais de propriedades rurais reforçam os impactos do vazamento de produtos químicos após incêndio de carreta na BR-153

A contaminação causada pelo derramamento de produtos químicos em um córrego de Professor Jamil, no sul de Goiás, já provoca impactos ambientais e preocupa moradores da região. A Polícia Civil confirmou a morte de peixes no curso d’água atingido após o incêndio de uma carreta na BR-153, na segunda-feira (27). Segundo o delegado Liziano de Carvalho, a alteração no pH da água comprova a contaminação. No entanto, exames laboratoriais ainda vão apontar a extensão dos danos e identificar as substâncias envolvidas. Além disso, em uma fazenda às margens do córrego, um produtor rural também encontrou peixes mortos. Por isso, retirou o gado da área e suspendeu o uso da água por receio de contaminação.

De acordo com o delegado, a quantidade de peixes mortos foi pequena, mas suficiente para indicar poluição ambiental. “Houve alteração, houve poluição. A água ficou toda rosa e os peixes apareceram mortos”, afirmou. Diante disso, a Polícia Civil orienta que moradores e produtores não utilizem a água do córrego. Além disso, recomenda impedir que animais tenham acesso ao local até a conclusão das análises. O produtor rural relatou que a água amanheceu com coloração rosada, espuma e forte odor no dia seguinte ao acidente. “Passamos os animais para outro pasto, mas eles chegaram a tomar dessa água”, disse. Enquanto isso, segundo ele, a mancha segue avançando em direção ao Rio Dourados. Com isso, aumenta a preocupação entre os moradores.

Incêndio deu início à contaminação

O incêndio começou quando uma carreta carregada com produtos químicos pegou fogo na BR-153, em Professor Jamil. Durante as chamas, parte da carga escorreu pela pista, atingiu a rede de drenagem e contaminou um córrego afluente do Rio Dourados. Conforme a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o motorista conseguiu desacoplar o cavalo mecânico. Assim, evitou que o fogo consumisse toda a composição. No entanto, a corporação informou que ele não possuía o curso obrigatório para o transporte de produtos perigosos. Entre as substâncias transportadas estavam ácido sulfúrico, fenol, ácido sulfônico e ácido fosfórico. Esses produtos são utilizados na fabricação de produtos de limpeza.

Após o acidente, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) notificou a transportadora para executar medidas de contenção e recuperação da área afetada. Em seguida, a empresa informou que contratou uma equipe especializada para mitigar os danos ambientais. Como medida preventiva, a Saneago suspendeu temporariamente a captação de água. Posteriormente, a operação foi retomada após análises confirmarem que a água bruta voltou a atender aos padrões para tratamento. Além disso, a companhia informou que mantém o monitoramento reforçado da qualidade da água. Por fim, a Delegacia Estadual de Meio Ambiente (Dema) segue investigando o caso.


(A estudante de Jornalismo Bruna Reis assina esta reportagem sob orientação do jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias.)

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