Eleições 2026 em Goiás: a matemática implacável e o ‘preço’ em votos para uma cadeira na Alego
A disputa pelas 41 cadeiras da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego) nas eleições de 2026 não será decidida apenas no gogó ou no carisma, mas por uma engrenagem matemática rigorosa.
A análise da projeção eleitoral, elaborada por Levy Rafael Alves Cornélio, com análises do analista político e mestre em História Tiago Zancope, aliada ao estudo preditivo e estatístico detalhado desenvolvido pela Gonzaga Advogados sobre o comportamento do eleitorado goiano, revela que a linha que separa a vitória da derrota exigirá dos candidatos desempenhos muito distintos. O “ponto de corte” para se eleger deputado estadual deve variar drasticamente: de 18 mil a mais de 38 mil votos.
Em um universo de mais de 5,1 milhões de eleitores goianos aptos, a matemática eleitoral já trabalha com suas deduções. Descontando uma abstenção estimada em 21,7% (mais de 1,1 milhão de ausentes) e cerca de 8,4% de votos brancos e nulos, o estado deve registrar aproximadamente 3,68 milhões de votos válidos.
É esse montante que define a regra do jogo, fixando o chamado Quociente Eleitoral (QE). Segundo as informações estatísticas e de quocientes levantadas pela pesquisa da Gonzaga Advogados, para conquistar uma vaga direta logo na primeira rodada de partilha, um partido ou federação precisará somar exatos 89.762 votos.
As barreiras da lei
A legislação eleitoral atual não perdoa os chamados “candidatos de fachada”. Para assumir a vaga direta conquistada pela legenda, o candidato precisa ter, no mínimo, 10% do QE (8.977 votos nominais).
Se a disputa for para a repescagem das “sobras”, o funil aperta: o partido precisa ter acumulado pelo menos 71.810 votos (80% do QE) e o candidato, para entrar nessa briga, é obrigado a alcançar a marca de 17.953 votos nas urnas (20% do QE).
Diante dessas regras e das análises projetadas, o cenário para 2026 já desenha três grandes blocos de competição.
O “Clube dos Pesados”: Cortes acima de 30 mil votos
Nas legendas que concentram caciques políticos e deputados com mandato, a competição interna é brutal, elevando o sarrafo para quem quer entrar ou se manter na Alego.
O MDB, avaliado como o partido mais forte do estado, projeta garantir até 6 vagas. No entanto, o preço é alto: o ponto de corte passa dos 38 mil votos. Para liderar a nominata com segurança, os “cabeças” da chapa precisarão de 60 mil a 70 mil votos. Há um risco real de candidatos com mandato ficarem de fora.
O PL vive situação semelhante, projetando até 5 vagas. Os quatro primeiros lugares estão praticamente consolidados para nomes que devem superar a barreira dos 38 mil votos, deixando a quinta cadeira para uma disputa sangrenta na casa dos 25 mil.
No bloco PP e União Brasil, a pressão recai sobre os “puxadores”. O corte geral é superior a 35 mil votos, mas no União Brasil, espera-se que os líderes alcancem de 55 mil a 70 mil. Já a federação Cidadania + PSDB projeta até 4 vagas, com a exigência de mais de 30 mil votos para garantir um lugar ao sol entre os três primeiros.
O Pelotão Intermediário (22 mil a 28 mil votos)
Partidos com chapas equilibradas e capilaridade regional apresentam uma matemática mais acessível, mas que exige consistência.
A união PRD + Solidariedade trabalha com a perspectiva de até 5 cadeiras, estipulando um corte na faixa de 28 mil votos, com vantagem clara para quem já tem mandato. No PT, que deve ser impulsionado por Antônio Gomide, os principais candidatos precisarão atingir entre 35 mil e 40 mil votos para evitar o sufoco das sobras, estabelecendo um corte interno de 25 mil.
O Republicanos projeta um afunilamento tenso para apenas uma vaga direta, com corte acima dos 25 mil votos para nomes já testados nas urnas. Em contrapartida, o Mobiliza surge como um exemplo de chapa homogênea. Sem depender de um único grande puxador de votos, a legenda projeta eleger até 5 parlamentares com uma média bastante nivelada: cerca de 22 mil votos cada.
Chapas Enxutas: O caminho estreito do limite legal (18 mil a 20 mil votos)
No limite do “tudo ou nada” estão os partidos que dependem estrategicamente do trabalho de suas bases ou do desempenho astronômico de um único líder. Nesses grupos, o ponto de corte cai para o patamar dos 18 mil votos, encostando na cláusula de barreira individual das sobras (17.953 votos).
O partido Novo possui o ponto de corte mais baixo do estado (cerca de 18 mil votos). A estratégia é cirúrgica: usar um grupo de cerca de 10 candidatos medianos (fazendo entre 4 e 8 mil votos cada) para formar uma base de 40 mil votos de legenda. Isso permitirá que o líder da chapa, atingindo a barreira dos 18 mil, abocanhe a vaga.
Já o Democrata vive o chamado “alerta de risco”. Embora o corte também seja de 18 mil votos, a chapa é considerada perigosa por falta de nomes coadjuvantes que consigam passar dos 10 mil votos para ajudar na somatória. O Agir, com corte de 20 mil, prevê um confronto direto entre estrutura financeira e candidatos com mandato.
Situações peculiares marcam legendas como o Podemos e o PSD. No Podemos, Henrique Cesar deve garantir a primeira vaga, mas a segunda cadeira dependerá de outro candidato conseguir superar a barreira legal de 18 mil votos nas sobras. Já o PSD vive a “dependência do puxador”: com uma chapa muito enxuta de 17 nomes, precisa que seu principal candidato (Paulo do Vale) ultrapasse sozinho os 80 mil votos para sonhar com uma segunda cadeira. No PSB, o clima é de eliminação: três deputados de mandato digladiam por uma única vaga projetada.






