Um dono de bar em Anápolis vai enfrentar o Tribunal do Júri nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026, acusado de matar um jovem durante uma tentativa de assalto dentro do próprio estabelecimento. O caso ocorreu em 25 de abril de 2014 e voltou ao centro do processo após a Justiça manter a decisão que leva o comerciante a julgamento popular.
A defesa tentou impedir o júri e pediu a absolvição do réu, alegando legítima defesa. No entanto, o Tribunal de Justiça de Goiás rejeitou o recurso e entendeu que os jurados devem decidir se o comerciante agiu para se proteger ou se houve excesso na reação armada.
Conforme os autos, o jovem, de 19 anos, entrou no bar armado e acompanhado de outro rapaz. Em seguida, os dois teriam anunciado o assalto. O proprietário estava no local com a esposa no momento em que a abordagem começou.
Ainda segundo o processo, o assaltante apontou a arma para a mulher do comerciante. Depois, ao perceber a presença do dono do bar, teria atirado. Um dos disparos atingiu o balcão do estabelecimento, e o proprietário reagiu usando uma arma de fogo.
Justiça manda caso para julgamento popular
Durante a reação, o jovem foi atingido por quatro tiros e morreu no local. Já o comparsa fugiu em uma moto. A dinâmica do confronto passou a ser analisada pela Justiça, principalmente porque a defesa sustenta que o comerciante apenas tentou proteger a própria vida e a companheira.
Em interrogatório judicial, o réu afirmou que reagiu diante do risco imediato. “Fiz o que fiz para me defender”, afirmou em audiência. A frase foi usada pela defesa para sustentar a tese de legítima defesa no processo.
Além disso, testemunhas ouvidas pela Justiça relataram que o jovem e outro rapaz teriam saído naquela noite com a intenção de praticar um assalto. Um depoente também afirmou ter ouvido que a vítima entrou no bar armada e mirando na esposa do comerciante.
A mãe do jovem morto declarou em juízo que o filho tinha antecedente por roubo com uso de arma de fogo. Outra testemunha também relatou que ele já havia cometido outros assaltos anteriormente.
Tribunal vê dúvida sobre proporcionalidade da reação
Apesar dos relatos, o juiz de primeiro grau e o Tribunal de Justiça entenderam que a legítima defesa não ficou comprovada de forma incontestável nesta fase do processo. Por isso, a análise será feita pelo Conselho de Sentença.
Ao negar o recurso da defesa, o relator Gustavo Dalul Faria observou que o jovem recebeu quatro disparos em regiões diferentes do corpo. Para o magistrado, esse ponto cria dúvida sobre a proporcionalidade da reação do comerciante.
O juiz também avaliou que a marca de tiro encontrada no balcão do bar não comprova, de maneira irrefutável, toda a dinâmica apresentada pela defesa. Assim, a Justiça decidiu que os jurados devem avaliar se houve legítima defesa ou eventual excesso.
A defesa ainda pediu o reconhecimento de homicídio privilegiado, alegando que o comerciante teria agido sob violenta emoção após injusta provocação. Porém, o pedido também foi deixado para análise do júri. Enquanto aguarda o julgamento, o réu responde ao processo em liberdade.
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(O jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias, orienta o estudante de jornalismo Vinicius Lima.)






