Recursos desviados da Covid em Goiás tiveram origem no Ministério da Defesa

A maior parte dos recursos investigados por desvio no combate à Covid-19 em Goiás veio do Ministério da Defesa. Dados do Portal da Transparência mostram que a pasta enviou cerca de R$ 21,7 milhões, o que representa 98% do total analisado.
Além disso, o Ministério da Justiça e Segurança Pública contribuiu com aproximadamente 2% dos repasses, somando pouco mais de R$ 444 mil.
Investigação aponta esquema em contratos
A Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da União, iniciou a operação na quarta-feira (15). Desde então, os investigadores analisam contratos ligados à gestão de hospitais de campanha durante a pandemia.
Segundo as apurações, o grupo usava Organizações Sociais (OSs) para desviar recursos públicos. Além disso, os suspeitos inflavam contratos e direcionavam licitações para beneficiar empresas específicas.
Por isso, a Justiça autorizou cerca de 50 mandados relacionados a crimes como corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.
Alvos incluem empresários e gestores
Entre os investigados estão empresários, gestores e profissionais da saúde. Um dos principais alvos, Roberto Leandro Carvalho, segue foragido. Enquanto isso, seus sócios já foram presos durante a operação.
Além deles, outros nomes ligados à gestão de unidades de saúde também entraram na mira das autoridades.
Esquema envolvia simulação de concorrência
De acordo com a investigação, o grupo simulava concorrência em processos licitatórios. Dessa forma, empresas ligadas aos envolvidos venciam contratos com valores acima do mercado.
Em seguida, o dinheiro excedente alimentava o esquema. Parte dos valores enriquecia os investigados e, ao mesmo tempo, garantia pagamento de propinas a agentes responsáveis pela fiscalização.
A Operação Rio Vermelho foca justamente nesse modelo de atuação, que teria desviado recursos destinados ao enfrentamento da Covid-19 em Goiás.
Defesa ainda não se manifestou
Até agora, parte dos citados não apresentou posicionamento. Ainda assim, o espaço segue aberto para manifestações das defesas.






