Cidades

Homem pega quase 90 anos por matar ex-sogros a golpes de facão após ser expulso de casa

Crime aconteceu na véspera do Natal, em Cristalina; Justiça apontou crueldade, vulnerabilidade das vítimas e planejamento no ataque

A Justiça condenou Milton Pereira dos Santos a quase 90 anos de prisão pela morte dos ex-sogros, Maria Batista de Oliveira, de 68 anos, e Mario Domingos, de 59, em Cristalina, no Entorno do Distrito Federal. O crime aconteceu na noite de 23 de dezembro de 2024, quando o pedreiro matou o casal a golpes de facão após ser expulso da casa onde morava com a ex-mulher.

O juiz Rodney Martins Farias assinou a sentença e destacou a gravidade do caso. O Tribunal do Júri condenou Milton por feminicídio, homicídio qualificado e outros crimes ligados ao episódio. Ao todo, as penas chegaram a quase 90 anos de prisão. Além disso, ele também respondeu por adulteração de sinal identificador de veículo, violência psicológica contra a mulher e fraude processual.

Juiz destacou crueldade e vulnerabilidade das vítimas

Na decisão, o magistrado apontou que Milton usou meio cruel e dificultou a defesa das vítimas. Em relação a Maria Batista, o juiz ressaltou que ela era idosa, tinha cardiopatia severa e sofria convulsões. Por isso, a vítima tinha ainda menos chance de reagir ou fugir durante o ataque.

Além disso, o juiz considerou o impacto do crime para a família. Os corpos de Maria Batista e Mario Domingos foram encontrados na manhã seguinte, em 24 de dezembro, véspera de Natal. Dessa forma, a data deixou de representar celebração e passou a marcar um período de dor para os familiares.

Segundo a investigação, Milton não aceitava o fim do relacionamento com a filha das vítimas. O casal havia se separado recentemente, depois de uma relação marcada por abusos e violência. Antes do crime, ele fez ameaças à ex-sogra e teria dito que “a veria no caixão no Natal”.

Investigação apontou planejamento do ataque

Durante a apuração, a polícia reuniu imagens de câmeras de segurança e depoimentos que indicaram planejamento. Conforme a investigação, Milton contou com a ajuda de um servente, que também acabou preso no decorrer do caso.

Na noite do crime, imagens mostraram os dois suspeitos saindo de moto em direção à residência rural das vítimas. Em seguida, as câmeras da propriedade foram desligadas antes do ataque. Para os investigadores, essa ação reforçou a suspeita de premeditação, já que Milton havia ajudado a instalar os equipamentos.

Depois dos assassinatos, Milton ficou foragido por vários dias. No entanto, a polícia o prendeu em 19 de janeiro, no Jardim Ingá, em Luziânia, após monitorar um imóvel que ele teria alugado para se esconder.

Na época da prisão, o pedreiro negou participação nos crimes. Já a defesa, representada pela advogada Daniella Visoná, informou que vai analisar os atos processuais antes de decidir se apresentará recurso contra a condenação.


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(O jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias, orienta o estudante de jornalismo Vinicius Lima.)

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