Uma jovem de 29 anos, que denunciou ter sido estuprada pelo próprio pai durante 17 anos, afirmou que ele a ameaçava de morte. Segundo a Polícia Civil, o homem dizia que, caso ela o denunciasse, sairia da prisão e a mataria.
A vítima é mãe de quatro crianças, com idades entre 1 e 11 anos. Agora, a polícia aguarda exames de DNA para verificar se o suspeito é o pai das crianças. A investigação ainda não confirmou essa hipótese.
A Polícia Civil prendeu o homem na sexta-feira (11), em Anápolis, na região central de Goiás. A vítima revelou os abusos a familiares, que, segundo a investigação, continuavam até recentemente.
De acordo com a delegada Aline Lopes, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, o suspeito negou as acusações. Além disso, ele se recusou a fornecer material biológico e afirmou que prestaria declarações apenas à Justiça. O CERRADO NOTÍCIAS não localizou a defesa dele até a última atualização.
Vítima vivia isolada com os filhos
Segundo o conselheiro tutelar Lídio José de Jesus, a jovem morava com o pai e os quatro filhos em uma chácara. O homem trabalhava como caseiro em uma casa de eventos e sustentava financeiramente a família.
Ainda conforme o conselheiro, o suspeito mantinha a filha isolada e controlava sua rotina. “Ele não deixava ela sair de casa, justamente pra não ter contato com outras pessoas, para que as pessoas não descobrissem”, disse Lídio, acrescentando que era ele quem levava e buscava as duas crianças mais velhas na escola.
A Polícia Civil afirma que a vítima encontrou coragem para revelar os abusos depois que o pai foi preso por outro crime. Posteriormente, após deixar a prisão, ele teria ido até Barro Alto, onde ela morava, e levado a filha para Anápolis.
Segundo Lídio, os abusos teriam começado quando a jovem tinha 12 anos, ainda em Barro Alto. Na época em que o suspeito a levou para Anápolis, ela já tinha o filho mais velho. “Nessa época, tinha só o menino mais velho”, detalhou.
Mãe teria deixado a residência após episódios de violência
O conselheiro tutelar relatou que a mãe da jovem deixou a casa há vários anos. Segundo ele, a mulher também teria sofrido violência doméstica e acabou deixando a filha sob os cuidados do pai.
“A mãe teria descoberto (o primeiro abuso) e, por conta disso e de situações de violência também, ela teria saído de casa, teria abandonado o lar”, contou.
Enquanto a investigação avança, a Polícia Civil aguarda os resultados dos exames de DNA, que poderão esclarecer se o suspeito é o pai biológico das quatro crianças. Segundo a delegada Aline Lopes, os resultados devem ficar prontos em cerca de um mês.
Lídio José também relatou preocupação com o aumento de atendimentos envolvendo violência sexual dentro das próprias famílias. “Casos iguais a esse, né, de pais com filhas, de avós com netos… são coisas que a gente tem acompanhado. Inclusive, tem até crescido a quantidade de atendimentos nesse sentido”, relatou.
Leia mais notícias aqui
(O jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias, orienta o estudante de jornalismo Vinicius Lima.)






