Menino resgatado em banheiro de bar dizia que era trancado por ser “teimoso”, afirma delegada
Um menino de 9 anos resgatado em um bar de Aparecida de Goiânia relatou à Polícia Civil que vivia trancado em um banheiro porque seria “teimoso”, segundo a delegada Sayonara Lemgruber. O caso levou à prisão em flagrante do pai e da madrasta da criança na quinta-feira, 2 de julho.
De acordo com a investigação, a criança passava horas dentro do banheiro, fazia refeições no local e dormia sobre um tapete. Além disso, o menino também não frequentava a escola, o que chamou atenção das autoridades durante a apuração.
A delegada afirmou que o relato da vítima não justifica a situação em que ela foi encontrada. “Ela justifica que era mantida nessa situação por ser teimosa. É uma criança doce, educada, tranquila. Nada justifica essa situação ainda que fosse teimosa”, esclareceu.
Ainda segundo a Polícia Civil, o pai e a madrasta permaneceram presos até as 14h de sexta-feira, 3 de julho. Em depoimento, os dois ficaram em silêncio e podem responder por maus-tratos, com aumento de pena por causa da idade da vítima.
Criança ficava no banheiro antes da abertura do bar
Segundo a delegada Sayonara Lemgruber, o menino ficava trancado durante a noite e em parte do dia. Depois, quando o estabelecimento começava a funcionar, os responsáveis retiravam a criança do banheiro para evitar que clientes e funcionários percebessem a situação.
“O bar supostamente abria 5 horas da tarde, quando a criança era retirada do banheiro para que os frequentadores e pessoas que trabalham não soubessem dessa situação”, relatou a investigadora.
Durante o funcionamento do bar, a criança permanecia fora do banheiro, sentada ou ajudando na limpeza do local. Em seguida, os responsáveis a levavam novamente para o cômodo, onde ela passava a noite.
A Polícia Civil informou que o menino dormia deitado sobre um tapete de crochê. Além disso, a investigação apura há quanto tempo a criança era mantida nessas condições dentro do estabelecimento.
Menino também relatou agressões
Além do confinamento, o menino contou à delegada que sofria agressões dentro do ambiente familiar. Segundo o relato, o pai teria usado fio contra a criança em algumas ocasiões.
“A criança narrou que era agredida algumas vezes, com fio pelo pai, mas também já foi agredida pela madrasta com alguns utensílios da cozinha”, disse a delegada em entrevista.
Após o resgate, o Conselho Tutelar acolheu o menino e o encaminhou para um abrigo. Enquanto isso, as autoridades localizaram a mãe da criança em Goiânia.
No entanto, a criança seguirá sob proteção até que os órgãos responsáveis avaliem o ambiente familiar. Somente depois dessa análise, algum parente poderá assumir a guarda.
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(O jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias, orienta o estudante de jornalismo Vinicius Lima.)





