MPGO lança ferramenta para reforçar investigações de crimes sexuais virtuais contra crianças e adolescentes
Batizada de Nêmesis, tecnologia desenvolvida pelo Ministério Público de Goiás busca fortalecer a coleta de provas e ampliar a capacidade investigativa no combate à exploração sexual infantil na internet
O Ministério Público de Goiás (MPGO) lançou, nesta quinta-feira (21), a ferramenta tecnológica Nêmesis. O sistema vai auxiliar investigações de crimes sexuais virtuais contra crianças e adolescentes. O lançamento aconteceu durante um webinar promovido pelo órgão, dentro das ações do Maio Laranja, campanha de combate ao abuso e à exploração sexual infantojuvenil.
A Coordenadoria de Segurança Institucional e Inteligência (CSI) e o CyberGaeco desenvolveram a tecnologia para fortalecer a identificação, a coleta e a documentação de provas em investigações mais complexas. Segundo o MPGO, a ferramenta surgiu após uma necessidade prática identificada durante apurações conduzidas pelo próprio órgão.
De acordo com a coordenadora-geral do Gaeco, promotora Gabriella de Queiroz Clementino, o sistema vai ampliar a capacidade de resposta no combate à exploração sexual infantil na internet. Além disso, a tecnologia pretende tornar as investigações mais rápidas e eficientes. O MPGO também quer compartilhar a ferramenta com outros órgãos do Brasil e até de outros países.
O coordenador da Área da Infância e Juventude do MPGO, promotor Pedro de Mello Florentino, alertou para o aumento dos riscos enfrentados por crianças e adolescentes no ambiente digital. Segundo ele, redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de jogos online têm sido usadas para aliciamento e circulação de conteúdos ilegais. Por isso, ele reforçou a importância do acompanhamento familiar no ambiente virtual.
Violência sexual na internet preocupa autoridades
Os crimes sexuais virtuais contra crianças e adolescentes cresceram nos últimos anos e se tornaram um dos maiores desafios para autoridades. Um levantamento do Unicef apontou que um em cada cinco adolescentes brasileiros, entre 12 e 17 anos, já sofreu algum tipo de violência sexual em meios digitais. O número representa cerca de três milhões de vítimas.
Entre os casos mais comuns estão o aliciamento online, pedidos de imagens íntimas, ameaças, chantagens e exposição de conteúdo sexual sem consentimento. Especialistas alertam que criminosos costumam agir por redes sociais, aplicativos de conversa e plataformas de jogos, criando vínculos de confiança antes de cometer abusos. Por isso, autoridades reforçam a importância da supervisão dos pais e da denúncia de comportamentos suspeitos.
(A estudante de jornalismo Bruna Reis é orientada pelo jornalista Thyago Humberto, editor do Portal Cerrado Notícias.)






